In Memoriam — 10 Julho 2011

O bailarino e conhecido coreógrafo francês, Roland Petit, faleceu no dia 10 de Julho em Genebra.
Criador de mais de uma centena de bailados, entre os quais, o conhecido "Carmen", tinha 87 anos e deixou viúva outro grande vulto da dança gaulesa, Zizi Jeanmaire. Sobreviveu-lhe também a filha de ambos, Valentine, com quem viviam.
Nascido em 1924, em Villemomble (nordeste de Paris), filho de mãe italiana, Rose Repetto – que em 1947, fundou em Paris a Casa Repetto, especialista em calçado e vestuário de dança -, e de pai francês, Petit entrou aos 10 anos para a escola da Ópera de Paris, de onde saiu para fundar a sua própria companhia, o Ballet des Champs Elysées.
Apesar de nunca ter tido a projecção de outro coreógrafo marcante da sua época, Maurice Béjart, segundo aquela instituição,
"desaparece, sem dúvida, um dos mais importantes artistas de dança do século XX" que "ofereceu à Ópera de Paris onze criações e dez peças de reportório".
Na sua longa carreira, passou por Portugal com a sua companhia e foi director do Ballet de Marselha, de 1972 a 1998. Trabalhou também em Hollywood, e colaborou com grandes companhias de dança clássica como o Scala de
Milão (Itália) e a Ópera de Berlim (Alemanha). Em algumas das suas obras participaram artistas como Pablo Picasso, Georges Simenon, Orson Welles, Rudolfo Nureyev, Margot Fonteyn e Mikhail Baryshnikov.
Nomeado em 1970 director do Ballet da Ópera de Paris, renunciou ao cargo, para se dedicar ao music-hall.
As suas coreografias apresentam uma forte concepção teatral e, algumas delas, transformaram-se em clássicos, entrando no reportório de muitas companhias de fama mundial. "Carmen" (1949), que fez para si e Zizi Jeanmarie, marcou de forma indelével a sua carreira e deu-lhe notoriedade, tendo esta, posteriormente se tornado ainda mais conhecida e popular pelas suas aparições no "Casino" de Paris.
Foi o autor também de obras marcantes como "O Jovem e a Morte" (1946), "Les Forains" (1948), "O Lobo" (1953), "Nossa Senhora de Paris" (1965) e "O Paraíso Perdido" (1967), entre outras.
Em 1993 publicou um livro de memórias, "Dancei sobre as Ondas".

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Antonio Laginha

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