In Memoriam — 16 Junho 2022
ARTUR CASAIS(1937-2022) UM ARTISTA DE TOPO DO BALLET GULBENKIAN

Artur Casais e Marta Atayde

Depois de vários anos doente e de inactividade artística, faleceu num hospital de Lisboa, a 14 de Abril de 2022, o conhecido cenógrafo e figurinista Artur Casais.

Nascido a 1 de Agosto de 1937, em Lisboa, Artur de Vasconcelos Casais, estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio, antes de frequentar o curso de pintura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.

Posteriormente dedicou-se ao teatro tendo desenhado algumas peças, designadamente revistas à portuguesa, antes de ter ficado conhecido como um dos nossos mais expressivos cenógrafos e figurinistas do século XX, no Ballet Gulbenkian, ao lado do falecido Nuno Côrte-Real.

A sua primeira obra para a companhia da Gulbenkian foi Variações para Dez de Anne Heaton (28.02.1964). Seguiram-se La Fille Mal Gardée, de John Auld (22.12.1964), o figurino de Armando Jorge para o pas-de-deux, Cisne Negro (24.04.1965), Mosaico, de Walter Gore (10.05.1965), Copélia, de John Auld (23.12.1965) e A Bela e o Monstro, do mesmo coreógrafo ( 23.12.1965)

De seguida desenhou o único bailado que Francis Graça criou para o Ballet Gulbenkian, Encruzilhada, estreado a 01.04.1968.

A sua longa colaboração com Milko Sparemblek iniciou-se com Gravitação (02.06.1970), para o XIV Festival Gulbenkian de Música. De seguida viria a sua obra de maior sucesso, O Quebra-Nozes, na versão integral de Anton Dolin, que o Ballet Gulbenkian estreou a 02.01.1971.

Depois fez a cenografia e os figurinos da segunda versão de O Mandarim Maravilhoso apresentada em Portugal, com coreografia de Milko Sparemblek (01.06.1971). Seguiram-se Metamorfoses, de Fernando Lima (04.12.1971); Arquipélago III, de Carlos Trincheiras (18.03.1972) e O Trono (08.12.1973) e Satélites (06.04.1974), do mesmo coreógrafo. A sua colaboração com Sparemblek terminou com O Idílio de Siegfried (06.04.1974) e O Triunfo de Afrodite (18.01.1975).

A partir de 75 as suas colaborações resumem-se a obras de Carlos Fernandes: Glória e Galopes, Polkas & Valsas (15.07.1976) e Dança Ritual do Touro Selvagem (26.03.1977).

A convite do director do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Jorge Garcia – antigo mestre-de-bailado do Ballet Gulbenkian – desenhou a cenografia e figurinos do bailado Giselle,  remontado em 1977.

Nos últimos anos de vida dedicou-se a trabalhar numa colecção, que atingiu mais de uma centena de obras, totalmente dedicada à vida e obra da actriz Marilyn Monroe.

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Antonio Laginha

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