Dentro — 30 Maio 2009

O Museu do Oriente e as Festas de Lisboa, por iniciativa do jesuíta português Paulo Duarte, trouxeram um religioso indiano – Saju George – para um recital de dança.
O pequeno auditório daquele museu (quase cheio) recebeu uma proposta algo exótica não só na forma como o conteúdo. Se um homem a dançar um estilo como o Bharata Natyam – dança milenar do Sul da Índia – já não é vulgar, mais curioso é um católico transformar danças que evocam Shiva e outros deuses orientais em louvores a Jesus.
O Padre George, de tronco nu, jóias no tronco, braços e mão e belos trajes coloridos e muito plissados – com o decoro e a serenidade que a religião impõe – alternou danças com um cunho mais tradicional com outras cuja temática se tornou católica, adaptando o gestual e a gramática da dança indiana a uma outra realidade. Embora se tenham inventado gestos e poses, originalmente usados para contar histórias oriundas dos livros sagrados hindus, a verdade é que temas como a crucificação diminuíram, em muito, o carácter festivo que costuma acompanhar este tipo de eventos. Amplo nos gestos e generoso na histrionia, George não foi além da mediania na técnica de pés. Faltou-lhe incisão nas batidas e volume no som dos guizos.
Com grande paciência e empenhamento o jesuíta de Calcutá explicou com demasiado detalhe as tentativas de tornar credível o seu trabalho duplicando o tempo de um espectáculo que costuma durar pouco mais de uma hora.

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Antonio Laginha

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