Tema de Capa — 24 Novembro 2009

Dezembro – um fórum de dança na Croisette
Durante uma semana – de 27 de Novembro a 4 de Dezembro – Cannes foi, uma vez mais, a capital mundial da dança.
De dois em dois anos, os teatros da Croisette (onde se inclui o famoso Palácio dos Festivais) e alguns dos arredores da mais famosa estância balnear da Côte d’Azur, servem de cenário a vários espectáculos que abrangem estilos e tendências muito variados.
Para além da apresentação de várias companhias de dança de grande reputação, o festival inclui "master classes" e mesas redondas envolvendo artistas que participantes no evento.
Este ano, realizou-se mais uma homenagem à grande bailarina e pedagoga norte-americana Rosella Hightower (fundadora do Centro Internacional de Dança de Cannes, falecida em 3 de Novembro de 2008) e o Ballet de Lorraine levou ao festival uma soirée preeenchida com duas peças do coreógrafo português Paulo Ribeiro, criadas para o extinto Ballet Gulbenkian.
Com música do magnífico grupo de Águeda, “Danças Ocultas”, de "Branco" – criado em Janeiro de 2004 – escreveu-se na altura:
dez homens de negro de braços nervosos, mãos soltas e pés desarticulados, improvisando aqui e acolá, ao som de quatro poderosos instrumentos, acertam em cheio no binómio prazer de dançar e de ver dançar. A linguagem de Paulo Ribeiro, não sendo muito máscula, é deliberadamente exagerada e alguns dos gestos em presença podem tocar, mesmo, o grotesco. Todavia, em solos ou em grupos que se envolvem em jogos de forças pouco duradouros, soltos e algo brincalhões, os bailarinos deixam-se levar pelo puro instinto, num terreiro de habilidades, embalados por um universo musical de notável coerência terpsicoreana na respiração, no sonho e no sentimentalismo".
Já de “Espírito Orgânico, Batida Orgânica e Cage Orgânico”, de Março de 2005, se escreveu:
uma visível falta de “vocabulário” enfraqueceu uma obra-homenagem a John Cage (1912-1992). Apostando numa massa de cerca de 30 artistas em cena e recorrendo à improvisação, às danças sociais, à corrida, a acções como rebolar no chão, esbracejar e espernear, Ribeiro fez os bailarinos (desnudados) cumprir uma receita pouco convincente, tendo por cenário sombras e projecções dos mesmos, em tempo real, e deixando para o grupo de percussão “Drumming” o melhor da festa.

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Antonio Laginha

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