In Memoriam — 31 Agosto 2017
JANINE CHARRAT: UMA LENDA DA DANÇA FRANCESA (1924-2017)

foto: “La légende de la licorne”, coreografado e dançado por Janine Charrat (deitada) et Ethery Pagava.

A bailarina e coreógrafa Janine Charrat, nascida em Grenoble a 24 de Julho de 1924, faleceu – com 93 anos – a 29 de Agosto de 2017.
Segundo a bailaria Ethery Pagava, Charrat “era uma intérprete prodigiosa e uma coreógrafa inovadora e precursora da dança moderna em França. O seu talento igualava a sua coragem uma vez que depois de te sido fortemente queimada recomeçou a sua actividade, a sua paixão, a sua vida: a dança.”
Menina prodígio, Janine foi aos 12 anos (em 1937) a intérprete principal do filme “A Morte do Cisne”, realizado por Jean-Benoît Lévy, no papel de “Rose souris”.


Encorajada por Serge Lifar a prosseguir carreira profissional foi a primeira partenaire de Roland Petit com quem manteve um longa ligação artística. Ficou famosa durante a Segunda Guerra mundial, ao lado de Petit, e em 1945 assinou uma das suas obras mais famosas, “Jogo de Cartas”, e a primeira para o Ballet des Champs-Élysées. Janine Charrat obteve um grande êxito com esta sua primeira coreografia tendo, ao longo de sua carreira, criado cerca de meia centena de peças, algumas delas juntamente com o coreógrafo Maurice Béjart. “Adame Miroir”, em 1948, teve a colaboração do escritor Jean Genet. Jean Cocteau brindou-a com o seguinte elogio: Janine Charrat, marcheuse solitaire, va au-delà des étoiles.
Em 1961, durante a gravação televisiva do bailado “Les Algues”, o seu traje incendiou-se ao passar perto de um candelabro. Então, a bailarina sofreu queimaduras em cerca de 70% do seu corpo e só voltou à dança em 1964, tendo abandonado definitivamente os palcos quatro anos depois. De seguida foi nomeada directora artística do Ballet do Grande Teatro de Genebra, tendo continuado a trabalhar como coreógrafa. Entre as suas obras de sucesso contam-se, “Cressida” (1946), “Abraxas”(1949) e “Les Liens” (1960).
A sua carreira desenvolveu-se, principalmente, fora da França, tendo, nos anos 80, voltado ao seu país ao ser nomeada “conselheira de dança” no Centro Georges-Pompidou, em Paris, onde teve um papel importante na divulgação da dança contemporânea francesa e estrangeira.

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Antonio Laginha

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