Entrevista — 23 Janeiro 2015
GUILHERME GAMEIRO: ÊXITO NA CROÁCIA

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Enquanto na Companhia Nacional de Bailado (CNB), sedeada no Teatro Camões em Lisboa, se pode ver dançar o bailarino Frederico Gameiro, já no Teatro Nacional Croata, em Zagreb, trabalha o seu irmão Guilherme. Uma das diferenças entre ambos é que, se o primeiro nunca dançou em companhias fora de Portugal, o segundo – após, também, concluir os seus estudos na Escola de Dança do Conservatório Nacional – rumou à Suíça, daí à Finlândia e, finalmente, à Croácia, sem nunca ter pisado palcos portugueses.

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Quando Guilherme Gameiro Alves, de 25 anos, decidiu complementar a sua formação no estrangeiro optou por uma escola de prestígio, a Academia de Dança de Zurique, onde passou dois anos, como bolseiro da Fundação Gulbenkian. Ao terminar esse período ganhou uma medalha de ouro no Concurso Internacional de Dança de Berlim. Ainda fez uma audição para o Het National Ballet (em Amsterdão) mas acabou por não entrar naquela prestigiada companhia europeia cujo reportório é particularmente incisivo em obras de George Balanchine. Coisa de que, confessa, não se arrependeu. É que, a convite do director da Ópera de Helsínquia que viu o seu trabalho no Youtube, foi expressamente audicionar à Finlândia e recebeu, de imediato, um contrato para estagiário na companhia de dança mais importante daquele país. Ao fim de dois anos quando já dançava papéis de solista conheceu em Lisboa a sua futura mulher, Iva Vitić, que, então, fazia parte do elenco da CNB. Ainda tentou que fossem ambos contratados pela mesma companhia finlandesa mas, como isso não foi possível, namoraram cerca de um ano encontrando-se em países diferentes. Quando Iva decidiu voltar para a sua Croácia natal acabaram por casar e por estabelecer residência em Zagreb, em 2012. Desde então, integram o Ballet Nacional Croata, ambos como bailarinos solistas. Ela, com 27 anos, gosta muito do país do marido mas, para muitos artistas, lar é onde se tem bom trabalho e se é feliz…

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Guilherme afirma estar muito contente com o seu percurso artístico e pessoal pois tem vindo a evoluir artística e tecnicamente. Tanto que o ano passado foi um dos cinco nomeados na categoria de melhor performer da Croácia (dança, teatro, opera) e o único estrangeiro a fazer parte dessa lista. Apesar de ter dançado Albrecht – o papel principal masculino da obra romântica “Giselle” – ao lado da sua mulher, foi a personagem de Karenin, na peça “Anna Karenina” com coreografia do croata Leo Mujic, que o catapultou para a citada votação nacional.

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“A dança para mim é uma paixão. Tenho um irmão mais velho bailarino e danço desde os seis anos. Primeiro, por ter crescido a vê-lo dançar e, provavelmente, também por gostar de sentir aquela gente toda a olhar para mim quando estou em palco. Também já dancei obras contemporâneas (que me deram muito gozo) de Nacho Duato, William Forsythe e Ohad Naharin, só não tive o privilégio de dançar nenhuma de Jiri Kylian”. E acrescenta: esta é uma profissão muito dura mas quando nos apresentamos bem em cena e as pessoas aplaudem o nosso trabalho tem-se uma sensação muito boa.

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Guilherme confessa que fica mais nervoso em alguns bailados do que noutros pois em certas peças é obrigado a pensar muito nas dificuldades técnicas que tem que ultrapassar. “Quando se conta uma determinada história e se tem que construir uma personagem, dançar e usar a mímica é mais fácil, pois vai-se entremeado movimento e a representação”.

Curiosamente, o que este bailarino português, que o público tanto aprecia na Croácia, revela deixá-lo mais tenso seria a presença na plateia do seu último professor ou do irmão Frederico, porque têm a mesma profissão e vêm as coisas com um olhar diferente dos espectadores do teatro em que trabalha e que considera ser uma bela obra de arquitectura. Guilherme não pensa voltar a Portugal, a médio prazo, embora para Iva isso não fosse impedimento e ele ter uma grande família na cidade. É que as perspectivas no seu país não são as melhores em termos de bailado clássico! Apesar das coisas nunca serem perfeitas dentro das estruturas de  dança, ele tenta sempre ver o lado positivo a nível laboral e, sobretudo, agradar ao público. “Até porque o novo director do Ballet da Croácia, que entrou em Novembro, Leonard Jakovina ex-bailarino da Ópera de Berlim, deseja que fiquemos ambos na companhia. Espero vir a dançar alguns papéis de reportório importantes, sendo que, um dos que mais ambiciono é Solor em “La Bayadère”. É um sonho que, possivelmente, em breve se tornará realidade.

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Antonio Laginha

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