Breves — 18 Julho 2009

Muito se escreveu em vida e muita coisa se filmou de Pina Bausch.
Sobre Pina Bausch… nem tanto! A sua natural timidez levaram-na a fugir das câmaras dos fotógrafos e cineastas, se bem que Wim Wenders esteja a trabalhar numa obra biográfica que se espera vir a ser concluída até ao final do ano de 2009.
Enquanto esse trabalho não sai a público as saudades da coreógrafa alemã fazem-nos recuperar um documento, já com uma década, intitulado “Lissabon-Wuppertal-Lisboa”. Trata-se de um belo trabalho de Fernando Lopes sobre a passagem da diva de Wuppertal e da sua companhia por Lisboa aquando da criação de “Masurca Fogo”. A obra começou por se chamar “Ein Neues Stück” – uma nova peça – e acabou com um título algo inusitado e que pouco ou nada diz sobre a sua relação com o nosso país…
É, basicamente, um “making of” de uma peça que trouxe Bausch a Portugal para descobrir na cidade de Lisboa (e arredores) uma verdadeira luminosidade e um calor – que o título (fogo) avança – nunca antes visto no reportório bauschiano.
O processo de criação é fascinante – como não podia deixar de ser -, e o bom humor que parece pairar nos “estúdios da Vítor Cordon”, sede da Companhia Nacional de Bailado, é uma mais valia neste documentário filmado debaixo dos céus de Lisboa tendo em palco, como pano de fundo, a lava de Cabo Verde
A voz de Amália e a música de Bau, são tão expressivas como a mineira Regina Advento e a paulista Rute Amarante, duas bailarinas que se exprimem em português e se destacam num elenco feminino internacional e num grupo de homens onde pontua o veterano Dominique Mercy.
Também aparece no documentário (ainda que por breves segundos) o professor uruguaio dos tempos de Pina Bausch na Juilliard School em Nova Iorque, Alfredo Corvino. Uma presença rara e histórica, já que se encontrava a leccionar a companhia em Lisboa, tendo vindo a falecer, com 89 anos em 2005, em NYC.
Um exemplar exercício de Dança-teatro ou Teatro-coreográfico – herança do expressionismo alemão – para retratar uma Lisboa muito mestiçada (de cabo-verdiano) e, até, com alguns laivos tropicais.
Uma verdadeira preciosidade para quem quiser entrar no universo artístico e emocional de uma das maiores artistas que a Dança conheceu no século XX.
A título de epílogo uma informação: as imagens dançadas são, de tal modo, tocantes e evocativas que no que se refere aos comentários de Augusto M. Seabra e Maria João Seixas, pode-se, perfeitamente, passar ao lado.
Uma edição especial da obra – reeditada em 2008 – continua à venda e o seu preço ronda os 10 Euros.

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Antonio Laginha

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