Entrevista — 28 Outubro 2011

 
Klap tanto pode se referir ao som de palmas como da partida para a rodagem de uma cena de cinema. Esse foi o nome escolhido pelo coreógrafo bailarino marselhês, Michel Kelemenis, para a nova Casa para a Dança que recentemente abriu em Marselha.
Situada no coração do velho bairro de St. Mauront, alberga três salas que servem simultaneamente de estúdios de criação e de espaços de apresentação de trabalhos coreográficos. Nas duas “soirées” de abertura, exibiu-se a Companhia de Kelemenis e alguns artistas convidados, durante mais de três horas, dando o sinal de partida a uma programação ecléctica que vai até ao dia 5 de Novembro com o mini-festival “Questão de Dança”.
A RD falou com Michel Kelemenis após a abertura oficial do KLAP.

Revista da Dança – Está contente com os primeiros dias de festa no KLAP ?

MICHEL KELEMENIS – É extraordinário quando imagino que durante toda a minha vida lutei para conseguir um espaço para a dança e que tenham tido confiança me mim para levar avante tal projecto. A cidade de Marselha pagou na totalidade a reconstrução do edifício onde funcionava um hangar industrial com uma tinturaria e um armazém de camiões. Eu tive intervenção no caderno de encargos e escolheu-se conservar as fachadas – para manter a identidade do bairro – construindo tudo novo no interior. É importante referir, para além da Câmara de Marselha e do Ministério da Cultura e da Comunicação, o mecenato do DRAC Provence-Alpes-Côte d’Azur, do Departamento des Bouches-du-Rhône e da Fundação BNP Paribas.
RD – A inauguração do edifício vai mudar o trabalho da Companhia Kelemenis?
MK –Nós sempre fomos um grupo de criação e isso vai continuar… Eu trabalho na transmissão da dança. O nosso estúdio já era partilhado por quase todas as companhias de Marselha que aí faziam aulas e apresentações. Agora vamos continuar com um projecto mais ambicioso e amplo, com outras valências tais como encontros e debates.
RD –Como se deu essa transformação ?
MK – Tenho vontade de desenvolver uma cultura coreográfica aberta aos vizinhos. A todos aqueles que não pertencem à chamada comunidade da dança. Esta é uma arte de empatia e que também pode fazer parte da renovação de uma zona envelhecida e pobre. O KLAP, que é um projecto de artista, pode ser o primeiro sinal e é, seguramente, o resultado das aminhas observações ao longo de 30 anos na direcção em que a dança se desloca. É uma casa para a dança, e não uma casa da dança, diferente da vintena de centros coreográficos nacionais. Pode ser um espaço com um trabalho complementar ao do Ballet Nacional de Marselha. Esta é uma cidade de pescadores e não de comerciantes, tem uma identidade diferente de Lyon, que tem uma casa da dança há 35 anos.

RD – Qual vai ser o eixo da programação do KLAP?
MK – Como atrás afirmei, quase todos os artistas de Marselha já trabalharam no meu estúdio e todos irão fazer parte do KLAP. Temos 12 projectos “em fabricação” e 20 espectáculos programados para duas semanas. Por aqui passarão toda a espécie de opções pois não tenho problemas de estética, não sou programador. Aposto na diversidade e na sua riqueza, o que irá favorecer toda a dança. Finalmente, direi que pretendemos continuar a trabalhar com a EDN (European Dancehouse Network), uma rede de 22 casas em 17 países, financiada com fundo europeus, de que o KLAP é afiliado.

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Antonio Laginha

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