Entrevista — 07 Julho 2008

Amargo no apelido mas doce no trato, Rafael nasceu em Granada há 32 anos, tendo Hernández como nome de família.
À poesia de Garcia Lorca foi buscar o nome artístico.
Embora controverso, é tido como um dos mais conceituados bailarinos da nova geração do flamenco. Já foi chamado desde “enfant terrible” a “tesouro nacional” e o seu trabalho, para além da interpretação, abrange áreas como a representação teatral, o cinema e a criação coreográfica.
Nas suas peças combina o flamenco com a dança contemporânea e o breakdance, cruzando-os com as novas tecnologias.
Em “Tiempo Muerto” – o sétimo trabalho criado para a sua companhia – Rafael Amargo regressou à pureza da tradição, à essência e à paixão do flamenco. Ao trazer este espectáculo a Lisboa (Campo Pequeno) o artista confessou a sua admiração por Portugal e um desejo a cumprir – dançar flamenco ao som de fado.

Revista da Dança – Qual foi o interesse que o fez entrar no mundo do flamenco?
Rafael Amargo – Nasci artista e desde pequeno que quis ser bailarino e actor. Quando vi “Carmen”, de Carlos Saura com António Gadés, pensei de imediato, quero ser como esse homem. O meu pai ficou encantado por poder dar-me uma educação artística que o pai dele não teve oportunidade de lhe dar. A minha família é muito aberta e sempre me apoiou nas minhas decisões artísticas.
RD – De que “escola flamenca” faz parte?
RA – Venho da escola dita tradicional. Comecei a ter aulas com 9 anos, aos 13 assinei o primeiro contrato com a minha professora, aos 16 fui para Madrid trabalhar com Lola Flores. Depois fiz televisão e trabalhei com as companhias de Mário Maya, Manolete, Maria Rosa, José Granero e outros. Eu só segui uma linha mais eclética quando comecei a coreografar.

RD – Quais são as suas maiores influências?
RA – Seguramente as cinematográficas e a música urbana (rock) que eu viria a misturar com o flamenco. Faço um flamenco eclético, mas não de fusão porque isso pode gerar a confusão. O flamenco é como o fado, há intérpretes que o fazem mais ou menos interessante pela sua qualidade interpretativa. O meu carácter modula determinantemente o meu trabalho.
RD – Que iremos ver em Lisboa?
RA – É a primeira vez que venho a Portugal com o sétimo espectáculo no reportório da minha companhia. “Tiempo Muerto”, de 2006, é um regresso às origens. Estava a ficar cansado que me dissessem… que moderno! Dei um passo atrás pois cheguei à conclusão que “menos pode ser mais” se procurasse fazer um trabalho mais austero e integro. Uma coisa é entretenimento e folclore, outra é a arte da Dança.

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Antonio Laginha

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