Fora — 22 Dezembro 2011

No Centro Georges Pompidou está presente até 2 de Abril a exposição "Danser sa Vie", que pretende juntar a dança e as artes visuais, desde 1900 até aos nossos dias.
De Matisse a Tino Sehgal, de Yves Klein a Jan Fabre, do Fluxus a Trisha Brown, "Danser sa Vie", a exposição sem precedentes que o Centro Pompidou inaugurou há uma semana, conta as aventuras paralelas da dança e das artes visuais desde 1900 até aos nossos dias. Comissariada por Christine Macel e Emma Lavigne, conservadoras do Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, esta é a história de como a dança escreveu a história da arte moderna, das experiências transformadoras de Isadora Duncan, Loïe Fuller e Nijinsky (há um antes e um depois do choque de "L’Après-Midi d’un Faune", em 1912) ao verdadeiro laboratório de criação transdisciplinar que foi o Judson Dance Theatre na Nova Iorque da década de 60. A dança, argumentam as comissárias, foi, na viragem do século XIX, a língua fundadora da modernidade artística, e a inspiração mais determinante de boa parte das figuras de referência das artes visuais. Num percurso em três actos (estruturado em torno dos eixos temáticos subjectividade, abstracção e performance), "Danser Sa Vie" reconstitui os momentos fundamentais do interesse comum da dança e das artes visuais pelo corpo em movimento, congregando centenas de documentos (pinturas, esculturas, peças coreográficas, instalações, filmes, figurinos, fotos) que permitem ao espectador uma imersão quase total na exposição.

Logo na primeira sala, o monumental tríptico "La Danse", obra-prima de Henri Matisse, convive com uma performance em tempo real de Tino Sehgal e filmes de Daria Martin sobre protagonistas cruciais da revolução da dança moderna: Josephine Baker, Oskar Schlemmer, Martha Graham… Depois, há todo o tipo de encontros imediatos: entre a bailarina expressionista Mary Wigman e os pintores Emil Nolde e Ernst Ludwig Kirchner, os ballets cinéticos de Loïe Fuller e as obras de Sonia Delaunay e Gino Severini, os temas da Bauhaus e Oskar Schlemmer, as experiências de Yves Klein em "Anthropométries" e peças de Jan Fabre como "Quando l’uomo principale è una donna", de 2004 (ou o "drip painting" de Jackson Pollock e a sua recente evocação pelo coreógrafo Rachid Ouramdane).

Paralelamente à exposição, que fica até
ao dia 2 de Abril, o Centro Pompidou organizou um ciclo de cinema,
"Vidéodanse", que mostrará, ao longo de seis semanas, cerca de 250
filmes, representando outras tantas aventuras da dança nestes últimos cento e
tal anos. A obra "Olympia", de Vera Mantero, passou em 9 de Dezembro, integrando o capítulo dedicado à citação.
"Danser Sa Vie" é um verdadeiro quem-é-quem que vai do A de Alain Buffard ao Z de Zaza
Disdier (passando pelo J de Jérome Bel, pelo K de Kazuo Ohno, pelo P de Pina
Bausch e pelo W de William Forsythe).

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Antonio Laginha

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