Fora — 14 Fevereiro 2011

Muitos aplausos no final da projecção de “Pina”, do realizador alemão Wim Wenders, com cineasta e intérpretes comovidos. Foi com nostalgia e carinho que Berlim recebeu o filme em 3D com a companhia do Tanztheater de Wuppertal a partir da obra de Pina Bausch.
Um projecto que Wenders pretendia, há muito, concretizar e que estava já em preparação aquando da morte da coreógrafa em 30 de Junho de 2009. O mesmo foi definido como um “tanzfilm” – “filme de dança” – por analogia ao “tanztheater” de Pina Bausch, e que teve a sua estreia mundial no dia 13 de Fevereiro no Festival de Berlim.
O realizador de “Paris, Texas” explicou na conferência de imprensa: “a maior dificuldade que tive com este projecto foi que o filme que tínhamos pensado fazer já não podia ser feito. Teria sido um filme muito diferente, uma espécie de ‘road movie’ que acompanharia duas digressões, pela América do Sul e pela Ásia. Pina disse sempre que não queria explicar o seu trabalho e não queria que o filme propusesse qualquer tipo de interpretação ou leitura da sua obra. Quando recomeçámos o trabalho, começámos por filmar apenas as quatro peças sem saber sobre o que seria o filme – só aí, aos poucos, construímos a ideia de que os seus bailarinos, a sua ‘orquestra’, se tornaria na sua voz.”
Construído à volta de quatro das peças mais aclamadas da coreógrafa – “A Sagração da Primavera”, “Café Müller”, “Kontakthof” e “Vollmond” – o filme articula-se com momentos e memórias que os colaboradores e bailarinos da companhia têm de Pina, “saindo” regularmente do palco para ganhar vida em exteriores da cidade e dos arredores de Wuppertal.
Wenders também revelou que foi a própria obra de Pina Bausch que sugeriu os exteriores. “Pina trabalhou durante quase 40 anos em Wuppertal, Essen e na região do Ruhr, e toda a sua imaginação era constantemente influenciada pela cidade. Era muito importante para ela que a própria cidade fosse uma personagem.”

O realizador fez questão de esclarecer que nenhuma das coreografias foi minimamente alterada para efeitos de rodagem – “elas não podiam ser melhoradas. Era impossível” – e falou do seu desejo que a câmara fosse, também ela, um bailarino que dançasse com a companhia. “Como cineasta, tenho a impressão que dominava a minha arte, a arte da imagem em movimento, de certo modo do próprio movimento. Mas quando vi as peças de Pina, compreendi que podia saber muito de cinema e de imagem e movimento, mas que nunca tinha conseguido decifrar ou conhecer o movimento do modo como Pina o fez. Ao pé dela, eu e todos os outros cineastas somos apenas estudantes.”

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Antonio Laginha

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