Dentro — 22 Março 2012

O Casino de Lisboa importou um grupo norte-americano, os "Bad, Bad Boys of Dance", na sequência de uma digressão com espectáculos no Casino de Paris e em Atenas, cujo objectivo artístico parece não levantar dúvidas – injectar no bailado clássico a energia do “rock”. Entendendo-se isso por dança sobre por música “pop” de forte “batida” (U2, Michael Jackson, Prince, Black Eyed Peas, Coldplay, Lenny Kravitz e outros) sem grandes intuitos intelectuais ou dramáticos.
Aliás, “Rock the Ballet” é um espectáculo curto – que exibe, a meio, um filme de bastidores algo “caseiro” – sem pretensões de conteúdo e muito dependente de uma escolha musical cuja qualidade é inversamente proporcional à inventiva coreográfica. Vive de um certo frenesim interpretativo e é protagonizado por seis homens com muita fisicalidade e uma mulher que não pára de saltar, flirtar e rodopiar, no meio deles.
Poder-se-á afirmar que este show não podia ser mais americano, como uma “clam showder” ou um “cream of brocolli”, contudo, o sabor não perdura no palato.
O número com mais imaginação é, curiosamente o de menor gosto (com bonecas insufláveis que põem à prova uma masculinidade, pouco presente, dos rapazes do grupo) e o mais interessante, um que se desenrola na penumbra, sem grandes acrobacias ou rotinas de pura ginástica!
O espectáculo, em que todos os intérpretes exibem uma alegria ímpar e rasgados sorrisos que mascaram, com sucesso, o esforço despendido com tanto “fogo-de-artifício” técnico, pauta-se por um exibicionismo estéril mas que puxa as palmas e, sobretudo, a conquista a aderência do espectador mais fácil e distraído.
Em resumo, a excelente presença do chefe do grupo, o conhecido bailarino Rasta Thomas – o mais apurado e bem acabado dos sete artistas – não chega para ultrapassar um clima de frívola artificialidade e um continuado frenesim que perpassa todo o espectáculo. É, contudo, um show adequado a uma sala de casino – mas que não tem, necessariamente, que cair na categoria do “mindless entertainment” – porém, as rotinas coreográficas acabam por se assemelhar e ficar quase tudo num mesmo nível coreográfico, sobressaindo, no caso, a música nas intervenções gravadas de dois já falecidos “reis do showbiz” – Michel Jackson e Freddie Mercury/ Queen.

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Antonio Laginha

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