Dentro — 12 Dezembro 2011

Não há dúvida que a direcção da Companhia Nacional de Bailado (CNB) não podia ter melhor – e mais inteligente – ideia para a sua programação natalícia deste ano: o bailado “Romeu e Julieta”.
Ainda que numa versão coreográfica das melhores que se conhecem, a do sul-africano John Cranko, este só podia ser o bailado “perfeito” para contar às crianças nesta época a “divertida” história de “Rorro e Juju” no Teatro Nacional de S. Carlos!
É que num solarengo dia, em Verona, o violento e estroina Tebaldo mata, a troco de nada, Mercúcio com uma lâmina que sai do seu corpo horrivelmente ensanguentada. O sensível Romeu, seu primo, chora baba ranho… os olhos quase lhe saem das orbitas e, como vingança, mata Tebaldo com uma espada que lhe trespassa o coração. A senhora Capuleto, sua tia (e, para alguns, também sua amante) chora lágrimas de raiva e, aos gritos, arranca os cabelos, ao acompanhar o féretro. O chamado “corno”, leia-se o tio Capuleto, quer obrigar a filha a um violento casamento de conveniência com Páris, pelo qual a pobre Julieta sente repulsa. A infeliz sofre horrores e, desesperada, arranja um padre para lhe resolver vários problemas com a ingestão de uma droga “light”. Romeu, de seguida, não vai em conversas e usa um eficaz veneno para se matar. Julieta, perdida e completamente desfeita, enfia, com as poucas forças que lhe restam, um punhal na barriga, à noite no cemitério dentro da sinistra cripta dos Capuletos.

Após toda esta mortandade, o Príncipe de Verona quase manda para a cadeia duas famílias inteiras por distúrbios na via pública e tentativa de agressão, para além de dois assassinatos! Que alegria de ambiente, que espírito natalício, que espectáculo tão bom para rivalizar com a "tradicional" peça de Ivanov/Tachaikovsky, "O Quebra-Nozes".
A directora da CBN, o Sr. Secretário de Estado da Cultura e o Sr. Primeiro-Ministro de Portugal estão de parabéns, pela sua notável contribuição para a cultura nacional, a coesão familiar e o espírito da época. Muito obrigado a todos por contribuirem para elevar os nossos espíritos com a sensibilidade e delicadeza do menino desnudado sobre as palhinhas do presépio rodeado por anjinhos a tocar as douradas trombetas celestiais!

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Antonio Laginha

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