Dentro — 07 Outubro 2010

A Plataforma de Criação Tok’art, antes de chegar a Lisboa (Teatro Maria Matos) já tinha estreado no Centro Cultural do Cartaxo – onde está sedeado – um programa triplo com “Paisagem com Figuras”, “Lago” e “Peça”.
De salientar que obra do meio já trazia no seu historial um prémio coreográfico em Estugarda, em Março do ano passado.
Por tudo isso o grupo de André Mesquita e Teresa Alves da Silva era esperado com alguma curiosidade na capital. E as expectativas não foram defraudadas. Muito pelo contrário. Se não fora um acompanhamento musical algo indigesto e uma obsessiva negritude, comum a todas as obras, a noite, em termos de movimento seria quase perfeita.
De um modo genérico, o trabalho criativo de Mesquita é consistente, sumarento e engenhoso – venceu ex-aequo, juntamente com o italiano Mauro de Candia, o concurso Uncontainable II para jovens coreógrafos, promovido pelo Royal Ballet da Flandres, na Bélgica, em Março de 2009 – com a vantagem se ser, em simultâneo, aveludado e algo misterioso.
Embora essencialmente abstractas, as coreografias desenvolvem-se com uma dinâmica e um driblar de expectativas muito bem articulados. E o resultado amplia-se nas magníficas interpretações de Teresa Alves da Silva que sobressai nas três peças, respectivamente um dueto, um solo e um quinteto.
Em “Paisagem com Figuras”, a bailarina portuguesa e Shumpei Nemoto, debaixo de um par de lanternas suspensas e que não param de balançar ao longo de toda a dança envolvem-se de um modo intermitente mas sempre interessante . O mesmo não se pode dizer da irritante voz de uma americana que vai debitando uma conferência e que constitui, acima de tudo, um factor de distracção. “Porque non te callas?” foi, seguramente, a pergunta mais presente na mente dos espectadores do Teatro Maria Matos.
Com o solo “Lago”, Teresa Alves da Silva conquistou, como intérprete, o 1º prémio do 13º Internationales Solo-Tanz-Theater Festival (e André Mesquita o 3º prémio de coreografia) mostra toda a sua pujança artística. Com um prestação técnica impecável, uma boa capacidade de comunicação e uma notável “inteligência física”, a antiga bailarina do Ballet Gulbenkian e do Aterballeto mantém uma invejável forma.
 

O simples título de “Peça” – Pina Bausch chamava “Stücks” às suas obras – rotulou um quinteto final que reuniu , para além dos bailarinos mencionados, Guzmán Rosado, Margarida Brito e Ricardo Teixeira.
Apesar de uma banda sonora repetitiva – um arranjo sobre sample –, mais fatos pretos e menos luz, a escrita coreográfica manteve-se viva e diversificada com entradas personalizadas de elementos a solo ou em grupo.
E no epílogo a plateia não regateou aplausos aos bailarinos e coreógrafo que vieram do Cartaxo para encher de boa dança o Maria Matos, onde, nos últimos tempos, tem pautado o seu reportório pela performance e por eventos de não-dança!

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Antonio Laginha

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