Editorial — 29 Setembro 2010

No dia passado dia 6 de Julho o popular programa matinal “Fórum TSF” colocou aos seus ouvintes a seguinte questão:

Se a Cultura pode viver sem subsídios em Portugal?
E uma das resposta mais engenhosoas foi a seguinte:
Tanto que pode, que há muita gente a fazer o seu trabalho honestamente e com qualidade – recebendo o reconhecimento do público por isso – com poucos ou nenhuns subsídios.
Na verdade, há quatro décadas o problema já existia. Então era a Fundação Calouste Gulbenkian que dava bolsas – a quem lhe apetecia – e financiava muitas das artes teatrais e alguns dos (poucos) eventos que se exibiam em LISBOA!
Desde que o Ministério da Cultura criou o IPAE – que se transformou no Instituto das Artes e na actual DIRECÇÃO GERAL DAS ARTES (DGA) – que apareceu essa coisa chamada "subsídio-dependência".
De imediato surgiu o escrutínio público e a exigência do conhecimento de critérios honestos e objectivos, da forma como se começou a gastar o dinheiro do Estado! E os resultados – sempre dependentes de escassas verbas – têm sido decepcionantes.
Desde logo se percebeu a incompetência, o oportunismo e o compadrio em jogo e até processos em Tribunal contra a DGA, de pessoas que se têm vindo a sentir prejudicadas e injustiçadas neste totoloto que é a “dança” dos subsídios.
Alguns artistas já têm muita experiência em concursos surrealistas que misturam tudo num mesmo saco (e cujos júris têm feito um trabalho vergonhosos) e outros até já foram protagonistas e serviram como testemunhas de queixas por más práticas e discriminação. Todos eles têm autoridade moral para falar sobre o assunto. Até porque muitos foram os que participaram como intérpretes em projectos que a DGA financiou e nem se deu ao trabalho de acompanhar e muito menos fiscalizar os resultados. Outros já foram preteridos em concursos em que se deitou (literalmente) dinheiro à rua e a DGA permite-se nem responder às questões e às críticas que lhe são feitas.
A chamada criação “independente” portuguesa é dominada, sobretudo, pelos senhores da DGA que se tornou num imenso polvo e é aí que está o maior problema relativamente aos subsídios à arte de Terpsícore em Portugal.
A era dos subsídios, devido a políticas medíocres e à resposta pouco estimulante dos coreógrafos subsidiados, tem sido um fracasso. A Pedagogia da Dança, outro.
O caso da chamada dança contemporânea fortemente apoiada pela DGA cuja visibilidade no pais é muito reduzida e no estrangeiro é praticamente nula, é paradigmático.
Existe uma solução – algo simplista – mas que deveria ser aplicada aos coreógrafos ditos não comerciais, porque estes, como é sabido, não precisam do Estado para nada: apoie-se com uma percentagem da verba para produção de projectos artisticamente sérios e de objectiva qualidade. E com a totalidade necessária para a sua divulgação e veja-se, no terreno, quem tem unhas para tocar viola, sem amigos e teatros públicos a subsidiá-los e a apresentar obras para a famíla, amigos e conhecidos!
Assim, haveria um pouco de dinheiro para ajudar muitos – e incentivar todos – e, seguramente, ver-se-ia a qualidade subir de imediato.
E, certamente, o público a aumentar em flecha.

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Antonio Laginha

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