In Memoriam — 05 Setembro 2018
PAUL TAYLOR (1930-2018): O ÚLTIMO DOS GÉNIOS DA CHAMADA MODERN DANCE

Paul Taylor nasceu em 1930, nos arredores da cidade de Pittsburg, numa família que estimulou seu interesse pela leitura e pelas artes, porém, a sua primeira vocação foi o desporto, designadamente, a natação. Entrou e contacto com a dança através de um curso de Verão em que conheceu Martha Graham, tendo depois ingressado na Juilliard School (em Nova Iorque). Graduou-se naquela famosa instituição em 1953 tendo começado a trabalhar com colegas para formar o seu próprio grupo de dança. Aos 24 anos criou Jack and the Beanstalk –  de colaboração com Robert Rauschenberg -, tendo, de seguida pertencido à companhia de Martha Graham durante sete anos continuando como criador e director da sua própria companhia. No início da década de 60, duas figuras proeminentes da dança mundial pertenceram aos seus primeiros conjuntos de bailarinos: Twyla Tharp e Pina Bausch, depois de ter pertencido à companhia de Martha Graham durante sete anos.  In 1959, Taylor colaborou com outro gigante da dança, George Balanchine, e o New York City Ballet, na sua obra Episodes.

Deixou de dançar em 1974 devido a doença súbita motivada por exaustão durante um espectáculo em Brooklyn, em Nova Iorque.

O jornal New York Times sublinha que as inúmeras criações de Paul Taylor espelham “uma vasta imaginação poética”, “uma capacidade para alegria” e uma “musicalidade lírica”, com um trabalho que começou no experimentalismo radical dos anos 50. Era um bailarino com um físico propício para a dança e extremamente dotado artisticamente.

A sua primeira obra data de 1954, tendo, posteriormente, apresentado várias coreografias marcadas pelo vanguardismo. Algumas em colaboração com o artista Robert Rauschenberg e com música de John Cage. Nos anos 60, iniciou uma frutuosa colaboração com o pintor Alex Katz, que se estendeu até ao século XXI. Os dois, segundo o New York Times, fizeram duas das obras mais aclamadas da famosa Paul Taylor Dance Company: Sunset (1983) e Last Look (1985). O reconhecimento internacional chegou com obras como Aureole (1962, com música de Handel) e Orbs (1966, de Beethoven), e com a associação a nomes como Rudolf Nureyev, que dançou algumas das suas obras, e a companhias de renome internacional que as adquiriram para os seus reportórios. Como o Ballet Gulbenkian que dançou Arden Court (1981) no 4º programa da temporada de 89/90, a 20 de Abril de 1990.

Sem uma linguagem tão marcada como Graham ou Cunningham (ela faleceu em 91 e ele em 2009), Paul Taylor fez uma espécie de “síntese” entre a modern dance e a dança clássica, por vezes, com um humor caústico e outras com uma leveza de contornos bastante musculares. Era considerado o último dos gigantes da dança moderna americana vivos. Segundo o Washington Post, os seus trabalhos combinam “uma imaginação com forte pendor dramático e os movimentos naturais, de todos os dias, elevados a um nível virtuoso”. Por vezes também se revelava um bom contador de histórias como, por exemplo, em Last  Look, em que aborda a problemática de um sem abrigo. Coreografou uma original Sagração da Primavera, 3 Epitáfios (1956),  Private Domain, Company B, Big Bertha (1970), Cloven Kingdom e “Phantasmagoria” (2011), para músicas muito diversas, mas, provavelmente, a sua obra mais espectacular será Esplanade (1975) para alguns concertos de J.S. Bach.

A companhia de Paul Taylor é um dos mais importantes, aclamados e virtuosos grupos contemporâneos, rodando o mundo e apresentando-se anualmente no Lincoln Centre, em Nova Iorque. No início do ano de 20018, Taylor já tinha nomeado o bailarino Michael Novak, para o substituir como director artístico, tornando-se o segundo em 64 anos.

A companhia visitou Portugal, em 1973, tendo dançado no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian obras como AureoleBook of Beasts, So long Eden e Noah’s Ministrels, entre outras. Posteriormente regressou a Lisboa, ao Centro Cultural de Belém, na Primavera de 1998, e ao Festival de Sintra no Verão de 2001. 

A bailarina portuguesa Sílvia Nevkinsky integrou a PTDC durante 10 anos – entre Agosto 1995 e Agosto 2005 – tendo deixado o grupo por razões de ordem física, com um problema grave num anca. Durante essa década dançou regularmente com o bailarino Michael Trusnovec, que foi nomeado para o Dance Magazine Award de 2018.

Sílvia participou na criação das seguintes obras: Eventide, Oh, you kid!, Piazzolla Caldera, The Word, Arabesque, Cascade, Black Tuesday, Dante, Fiddlers Green, in the Beginning, Promethean Fire e Klezmer Blue Grass.

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Antonio Laginha

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