In Memoriam — 26 Junho 2017
EMMA LIVRY (1842-1863)
 
Em 1844, a roupa de cena da bailarina Clara Webster (1821 - 1844) pegou fogo enquanto dançava. Apesar de todos os esforços dos presentes para a salvar ela ficou gravemente queimada tendo morrido dois dias depois. Apesar disso pouco foi feito no sentido de evitar que esse tipo de ocorrências voltasse a acontecer.
Ainda se tentou inventar roupas que fossem pouco inflamáveis, mas, o tule leve e macio do tutu romântico tornava-se descolorido e rígido. E a maioria das bailarinas da época optaram por não o usar!
 
Emma Livry, cujo nome original era Jeanne Emma Emaroy (ou, noutra versão, Emma Marie Emarot) nasceu em 24 de Setembro de 1842. Era filha da bailarina, da Ópera, Célestine Emarot e do Barão Charles de Chassiron. Em 1836, era a mais nova estrela da Ópera de Paris, tendo feito o seu début aos dezasseis anos. Sendo francesa, substitui algumas das estrelas italianas que trabalhavam na capital francesa. E logo se tornou a artista querida do público parisiense dançando papéis principais nos mais famosos bailados românticos, La Sylphide tornou-se a sua obra favorita e de grande sucesso. Uma noite, quando Marie Taglioni, a sua criadora, estava no público, ficou encantada por Livry. Achou o seu trabalho tão impressionante que decidiu adoptá-la como sua “protegida”. Taglioni trabalhou com ela diariamente, meses a fio e coreografou a peça “Farfalla” (Borboleta) cuja partitura foi encomendada a Offenbach. 
Após a sua estreia Paul Smith escreveu “A borboleta não seria possível sem Livry. Ela era tão etérea, diáfana e intocável, com um “ballon” (altura e amplitude de salto) nunca antes visto. Ela desliza sobre o solo, a água e as flores, aparentemente sem os tocar. É leve como pena e cai como um floco de neve".
 
Livry, foi uma das bailarinas que se recusou a apresentar-se com roupa feita de material que pudesse retardar a combustão porque ele se tornava amarelo e rígido. Para além disso foi impelida a assinar um contrato em que não se importava de correr um risco enorme. A 15 de Novembro de 1962, num ensaio de palco, sua saia de tule aproximou-se de um o jacto de gás de um candeeiro e pegou fogo. Alguns bailarinos e os bombeiros presentes ainda tentaram extinguir as chamas, mas ela sofreu queimaduras tão graves que nunca recuperou, tendo falecido oito meses depois. Com vinte anos apenas, foi enterrada no cemitério de Montmartre.
A partir desse momento até o advento da iluminação elétrica nos palcos, cobertores embebidos em água eram mantidos em ambos os lados do palco, em caso de necessidade.
Emma Livry, foi, assim, a última das bailarinas românticas. O ballet romântico estava a perder o seu fulgor junto das elites parisienses.
 
Livry é lembrada a 26 de Julho – um dia funesto para a dança e para os bailarinos – como a artista que morreu horrivelmente queimada e não pela grande bailarina que, na realidade, foi.

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Antonio Laginha

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