Breves — 09 Julho 2015
“PETRUSHKA” PELA COMPANHIA DE BAILADO DA MADEIRA

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O dia 17 de Julho de 2015 marcou a estreia do Bailado “Petrushka” no Funchal (Madeira), sendo a primeira vez que a obra-prima de Fokine-Benois-Stravinski foi apresentada em Portugal por um grupo não profissional e, muito provavelmente, também fora da capital portuguesa.

O Ballet Gulbenkian foi a primeira companhia lusa a montar essa peça em 1970, numa versão de Goeffrey Davidson, mestre de bailado do então Grupo Gulbenkian de Bailado. Em 1974, a segunda versão foi assinada pelo grande especialista Yurek Lawovsky, que se deslocou a Lisboa a convite de Madalena Perdigão. Três anos depois foi a vez de Carlos Trincheiras se responsabilizar pela remontagem daquela excelente versão que tivera nos papéis principais, Patrick Hurde (Petruchka), Isabel Santa Rosa (Bailarina), Carlos Fernandes (Mouro) e Carlos Trincheiras (Mágico).

Algumas décadas depois a Companhia Nacional de Bailado retomou “Petrushka” numa versão do australiano John Auld, artista com ligações à Madeira através do casal Marta Atayde-Carlos Fernandes, fundadores e directores da Companhia de Bailado da Madeira (CBM).

Para comemorar o trigésimo aniversário da Escola Carlos Fernandes, a CBM apresentou-se no Casino do Funchal com um programa constituído por “Parade” (com coreografia de Marta Atayde, Fabíola Mano e Gonçalo Sousa) e “Petrushka”, com produção e figurinos de Marta Atayde. É de notar que esta bailarina se destacou particularmente no papel de “cigana” naquela obra, quando dançada no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, em Lisboa.

Desta vez os papéis principais estiveram a cargo de Gonçalo Sousa (Petruchka), Chermaine du Mont (Bailarina), Francisco Rousseau (Mouro) e Carlos Fernandes (Mágico).

 

NOTA HISTÓRICA

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O bailado “Pétrouchka” ou “Petrushka”, estreado no Teatro do Châtelet, em Paris no Verão de 1911 pelos Ballets Russos de Sérgio de Diaguilev, é, sem sombra de dúvida, uma das obras-primas da dança do século vinte.

Uma obra, ao mesmo tempo, divertida e sentimental, onde a pobreza convive com o brilho do ouro e o amor luta com as teias do ciúme. Esta peça foi construída de tal jeito que delicia tanto os artistas como o público.

Tudo faz sentido nessa dança “perfeita” saída do universo artístico e pessoal de Diaguilev, desde a comovente história aos magníficos cenários e figurinos (assinados por Alexandre Benois) passando, naturalmente, pela genial música de Igor Stravinski.

A coreografia de Mikhail Fokine é uma pérola de rigor, beleza e modernidade, juntando o teatro à dança, e alguns passos e linguagem da escola académico-clássica com habilidades circenses e danças de rua. Alternando cenas de multidão com outras que nos remetem para o pequeno, mas complexo, mundo dos três bonecos – decalcados dos “dom robertos” das antigas feiras russas – foi o talento de Diaguilev que juntou todos os criadores de “Petruchka”, fazendo desta obra um sucesso imediato.

Diz-se do seu intérprete original, o lendário bailarino russo Vaslav Nijinkski (1889-1950), que quando subia ao palco “não se percebia se tratava de um homem a fingir de boneco ou se era uma marioneta que  tinha adquirido alma”.

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nota: Petrushka em russo quer dizer salsa mas, neste contexto, é o diminutivo de “Pyotr” (Пётр)

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Antonio Laginha

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