Editorial — 03 Junho 2013
NÃO FICARÁ PEDRA SOBRE PEDRA !

PPC

Quem votou no PSD nas últimas eleições achando que Pedro Passos Coelho tinha algum orgulho nas suas memórias canoras e nas (vãs) tentativas de entrada no mundo das artes – via Filipe La Féria -, bem como algum respeito pelas “lides” artísticas do passado e do presente de algumas pessoas a si mais chegadas, enganou-se redondamente.

Na verdade o seu governo começou logo por nomear para um importante cargo na área da gestão teatral um indivíduo – palavras como oportunista e ladrão parecem aplicar-se na perfeição – condenado pelo Tribunal de Contas a devolver uma pequena verba dos muitos milhões que desapareceram dos cofres de uma conhecida instituição artística estatal.

De seguida, sem grandes hesitações, estrangulou o Ministério da Cultura reduzindo-o a uma mera secretaria de estado em que, como já vem sendo hábito (juntamente com a  Direcção Geral das Artes) pouco mais faz que gerir a burocracia e, sobretudo, os interesses de uma faixa muito reduzida de “subsídio-dependentes” que se comportam quase todos como parasitas que se limitam a exibir as suas parcas habilidades com o dinheiro dos impostos de todos os portugueses!

É perfeitamente claro para as pessoas (sérias e competentes) ligadas à Dança que uns três quartos dos espectáculos de “dança contemporânea” realizados em Portugal são mais do que patéticos e dão vontade de rir… quantas vezes até à lágrimas, num misto de tristeza e estupefacção. Estamos naquela fase – que já dura há demasiados anos – de regabofe em ”os corpos que se fizeram cérebro” e o “a dança se  fez opção cerebral de pila ao léu e mamas a abanar”.

Temos todos percebido que os últimos secretários de estado que, para além de fazerem figuras muito tristes com as suas decisões, pouco fazem de útil e produtivo pelas artes em Portugal. Aos olhos do cidadão-contribuinte apenas servem para engrossar o “bouquet” de flores que embelezam as (caríssimas) jarras da Presidência da República nas viagens a lugares tão distantes como a Índia e a Colômbia.

Francisco José Viegas, o judeu confesso, ficará na história pela sua nulidade de acção à frente de uma secretaria onde impera o vácuo e alguma caricatura, para além da utilização de uma linguagem imprópria de um ex-governante relativamente às instituições tuteladas por um governo de que (alegremente) fez parte. É que há muita gente que depois de comer ainda se dá ao luxo de cuspir no prato!

Quanto a Jorge Barreto Xavier, antigo verador de Isaltino de Morais na Câmara Municipal de Oeiras, depois de contratar para o seu gabinete uma técnica de prótese dentária, continua, entre outras coisas, a deixar andar na Companhia Nacional de Bailado uma bem visivel e ruinosa situação lesiva do Estado. É do conhecimento público que metade dos bailarinos contratados não dança, permite-se que alguns altos funcionário passem anos em casa ou a trabalhar fora da companhia e a receber chorudos ordenados e parece que reconduziu a directora no cargo… às escondidas.

A palavra concurso não existe no léxico deste pernicioso governo quando ela parece ser a solução mais democrática e urgente para contratar alguém que tenha conhecimentos artísticos e de gestão para liderar uma casa que anda completamente à deriva há muitos anos. Compadrio, incompetência, desprezo por artistas e contribuintes, isso sim, parece abundar na SEC, na DGA e na CNB!

Porém uma coisa oferece poucas dúvidas: Passos Coelho e os seus secretários de estado da Cultura, tudo têm feito para acabar com muitos dos nossos artistas. Após este período negríssimo receia-se que “não ficará pedra sobre pedra”.

cnb  CA

 

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Antonio Laginha

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