Ler — 24 Fevereiro 2013
TREINO EM DANÇA: OBRA DIDÁCTICA DE LUÍS XAREZ

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Foi lançado no Museu da Electricidade – espaço mais conhecido em Lisboa por Central Tejo – uma obra (didáctica) da autoria de Luís Xarez, com a chancela da Faculdade de Motricidade Humana, instituição onde exerce docência.

Com vasta experiência no ensino e na reabilitação, o autor construiu um manual prático para alunos e professores, artistas e meros praticantes (amadores) de dança, com cerca de cem preguntas (algo) frequentes e respectivas respostas.

Com uma linguagem acessível o livro divide-se em várias secções que abordam temas do foro mais mecânico ou mais ligados a problemáticas colaterais da dança, tais como, a nutrição e aspectos psicológicos.

Revelam-se de particular interesse os capítulos sobre lesões, flexibilidade, coordenação e planeamento da preparação física do bailarino.

De notar que a palavra treino, no título, é pouco feliz já que, do ponto de  vista semântico e de rigor artístico e técnico, é, não só incompleta como limitativa do trabalho que se  faz diariamente em milhões de estúdios de dança – e não ginásios – remetendo-a para o universo da motricidade. Deixando, por conseguinte, de fora uma miríade de itens que, geralmente, se associam à preparação técnica do artista bailarino que se exercita física, artística e psicologicamente para subir ao palco ou exibir-se performativamente num qualquer outro espaço teatral.

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Trata-se de um trabalho eminentemente técnico e altamente focado nos aspectos da fisiologia, por conseguinte, no estudo das múltiplas funções mecânicas, físicas e  bioquímicas dos artista da dança. Apesar de haver um capítulo dedicado às “variáveis psicológicas”,  o que, só por si, dava um livro muitíssimo útil a todos os que se dedicam a esta arte mas, sobretudo, aos bailarinos profissionais. Veja-se o caso do filme “Cisne Negro” (entre outros) que têm levado ao grande público – e ao absurdo – os bastidores da Dança e do universo mental dos bailarinos. Neste caso com elevada dose de fantasia, como, aliás, é evidente na ficção e, acima de  tudo, na necessidade de vender “espectáculo”.

Com excepção do título e do subtítulo, este é um trabalho confiável, com o necessário rigor científico e que pode, naturalmente, complementar as lacunas que os professores de dança, mais focados em aspectos artísticos e com parcos conhecimentos anatómicos e bio-mecânicos , evidenciam no seu quotidiano.

 

 

 

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Antonio Laginha

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