VERA MANTERO NA CULTURGEST: UM EXERCÍCIO DE NÃO-DANÇA
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Era muito aguardada em Lisboa a obra de Vera Mantero que se estreou no estrangeiro (Alemanha) o ano passado e já circulou pelo país antes de se mostrar na capital portuguesa, na Culturgest, no epílogo do Festival Alkantara.

O título, “ Vamos Sentir a Falta de Tudo Aquilo de que não Precisamos” é curioso (como, geralmente, o são todas as propostas da coreógrafa portuguesa mais apreciada no estrangeiro) e, indubitavelmente, apela à imaginação e à reflexão .
Como é do conhecimento de muitos, Vera é uma excelente bailarina (que exibe uma estimulante qualidade de movimento quando dança) uma criadora muito imaginativa – sobretudo nas peças em que também se apresenta como intérprete - e (quase) sempre muito provocadora. O seu trabalho teatral é frequentemente coroado de elogios, embora quando decide fazer umas pausas e se dedicar a recitais de canto, a sua voz tenha pouca profundidade e os seus fados e canções brasileiras se revelem algo insonsos.

 
 
FESTIVAL DE SINTRA - ESTREIAS MUNDIAIS DE ANDERMATT e NAMURA-BUGDAHN
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O Festival de Sintra, especialmente no que toca à área da dança, tem vindo não só a perder brilho em termos de companhias mas, acima de tudo, ao nível do número de espectadores, caiu drasticamente.

Esta premissa não só coincidiu com a direcção artística de Vasco Wellenkamp – também à frente da Companhia Nacional de Bailado – como também com o abandono (em muito má hora) do conceito “noites de bailado” estivais realizadas nos belíssimos jardins do Palácio de  Seteais.

 
 
"POROROCA" DE LIA RODRIGUES - DA FAVELA PARA SERRALVES E CULTURGEST
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 pororoca - 3   LIA RODRIGUES

A coreógrafa Lia Rodrigues, que tem feito um percurso como muitos outros artistas brasileiros ligados a companhias europeias, abraçou em exclusivo, na sua última criação, “Porocoa”, a técnica de improvisação de contacto.

Longe vão os tempos em que, saída da companhia da espanhola Maguy Marin, o seu pequeno grupo apresentava peças com um certo cunho brasileiro mas ainda enfeudadas a uma determinada estética europeia.
Hoje trabalhando também junto de habitantes de favelas, o material humano é diverso e, a avaliar pela amostra que trouxe a Serralves e à Culturgest, mais solto e desvinculado.

 
 
LÁGRIMAS RUIDOSAS SEM SALADINO
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foto - RUI HORTA retrato na Gulbenkian


 
Na qualidade de “artista associado” do Centro Cultural de Belém para a presente temporada - uma nova fórmula inventada por aquela instituição e que também contempla a famosa pianista Maria João Pires – Rui Horta apresentou “As Lágrimas de Saladino”, em estreia mundial.
Mais do que qualquer outro factor, designadamente o coreográfico, o que salta à vista é uma imensidão de músicos (integrantes da Banda da Sociedade Carlista de Montemor-o-Novo e artistas dirigidos pelo compositor João Lucas) em contraponto com sete jovens bailarinos estrangeiros que começam por debitar texto "decalcado" de "As Cruzadas Vistas Pelos Árabes" de Amin Maalouf em diversas línguas, juntamente com nomes de  ruas, avenidas e largos de Lisboa, e acabam a arfar junto de um microfone.

 
 
WIM VANDEKEYBUS e a COMPANHIA ÚLTIMA VEZ EM PORTUGAL:
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Wim Vandekeybus 2
 
A Companhia Ultima Vez, cujo director e coreógrafo é o belga Wim Vandekeybus, voltou a apresentar-se m Portugal, depois de muitos anos de ausência. Pelo Teatro Municipal de Almada passou "NieuwZwart", a mais recente criação do reputado coreógrafo em Wim Vandekeybus, que depois seguiu para Aveiro e Braga.
Vandekeybus reuniu um grupo de sete intérpretes – três raparigas e quatro rapazes -, e com ele desenvolveu as suas habituais formas de fisicalidade que, segundo a nota de imprensa, foram “inspiradas nas ideias de mudança e evolução que se processam através da destruição e da recusa”.

 
 
ELECTRA: UM SONHO ASSUSTADORAMENTE AUSENTE
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Olga Roriz - electra

Tem por título “Electra” – o nome de uma personagem trágica da mitologia grega – o último solo de Olga Roriz, inscrito nas históricas comemorações, que estão em curso, da implantação da República Portuguesa e estreado no Teatro Camões, no Parque da Nações, em Lisboa.
Apesar disso, tudo leva a crer que, dificilmente, fará história no reportório da coreógrafa-bailarina que já nos tem dado, com maior sucesso, obras de fundo de raiz histórica portuguesa (“Pedro e Inês”) e solos com mais intimidade e consistência e menos aparato (“As Lágrimas de Gulay Cabar”, por exemplo).
De um modo geral, a peça decorre num registo lento em que Olga, por vezes, mais parece uma espectadora da sua própria e variada escolha musical.

 
 
HANARE, O APRECIADO CHEIRO DO CAFÉ
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A avaliar pela maioria dos espectáculos da última temporada e pelos aplausos do público da (reduzida) bancada em cima do palco da Culturgest, no final de “Hanare”, solo de Aldara Bizarro estreado em Guimarães o ano passado, a programação de dança daquela instituição está a ir de mal.. a pior!

 
 
"NORTADA" COM POUCO ÍMPETO
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NORTADA  - OR - Bruno Alexandre Catarina Câmara Sylvia Rijmer e Pedro Santiago Cal


Tem por título “Nortada” o último trabalho de Olga Roriz encomendado por  Viana de Castelo e estreado naquela cidade em Junho de 2009, que só chegou à capital (Teatro Camões) quatro meses depois...
Nada, porém, nos levaria àquela urbe minhota, nem mesmo a bela voz de Amália cantando “Havemos de ir a Viana”, logo no início da peça, que tem por cenário um palco pejado de plantas secas.

Mas também Pina Bausch não “pertenceu” a nenhuma das cidades em que se inspirou para montar tantos e tão variados espectáculos...