O QUEBRA-NOZES PELA CNB - O MAIS NATALÍCIO DOS BAILADOS...
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CNB_Q.Nozes©Rodrigo de Souza

Com a reposição do centenário “Quebra-Nozes” (1892), o Teatro Nacional de S. Carlos volta a apostar nas grandes produções baléticas, com a Companhia Nacional de Bailado, o coro e a orquestra do nosso teatro nacional.

Embora termine em Lisboa na altura em que, realmente, chega o frio e a época natalícia propriamente dita, esta versão de Armando Jorge (antigo director da companhia) foi estreada há 24 anos naquele mesmo palco e já repetida, até, no Coliseu.

Herdeira da obra que Anton Dolin criou na Gulbenkian nos anos 70, e utilizando os mesmos cenários e figurinos de Artur Casais, foi, justamente devido a essa premissa que fez furor naquela época.

 
 
"TELA" DE IVO SERRA NA CULTURGEST: RISCOS, RUÍDOS E CONVERSA DA TRETA
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BCN 2

Ivo Serra levou ao Pequeno Auditório da Culturgest a peça “Tela”, integrada na programação do festival franco-português, “Temps d’Images”.
O jovem actor aparece em cima do palco, numa peça listada como dança (?), completamente descomprometido e começa por informar a plateia:
“Aqui, dizer aqui é uma tentativa. Aqui vai começar qualquer coisa. Aqui já começou qualquer coisa e não sabemos quanto tempo vai demorar”…
Com este tipo de discurso o “apresentador de serviço” marcou, desde logo, o tom e a agenda do evento, com a dúvida por lema.
Com um ar ainda mais desolado surge, a seguir, uma colega em palco que afirma: vocês a olhar, eu a olhar e uma coisa vai acontecer.

 
 
COMPANHIA DE OLGA RORIZ: O "INFERNO" SÃO OS OUTROS ...
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INFERNO_©Rodrogo de Souza

A premissa mais curiosa na obra “Inferno”, que a Companhia Olga Roriz trouxe a Lisboa depois da sua estreia no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, é a semelhança com a sua peça anterior, “Paraíso”, apresentada, o ano passado, no Teatro Nacional de S. Carlos.
Na verdade, ambas quase poderiam ter o mesmo título - “Purgatório”!

 
 
CNB: DUAS ESTREIAS A PRETO E BRANCO E... CINZENTO
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O primeiro programa (de câmara) da temporada da Companhia Nacional de Bailado (CNB) vem demonstrar o óbvio – a inabilidade do director artístico, Vasco Wellenkamp, para a tarefa a que o Ministério da Cultura o incumbiu.
Ao escolher um coreógrafo romeno seu conhecido, Edward Clug, que criou “Quatro Razões”, e Rui Horta, um coreógrafo português muito na moda e conhecido de todos – até do Presidente da República que o condecorou no passado 10 de Junho – debitou um programa escuro, desequilibrado e sem grandes atractivos.  

Se a primeira peça é vestida a preto e encerrada numa cenografia com cortinas, painéis e piano em cena, na mesma cor, “Come Together”, de Horta, não tem qualuqer cenografia e apresenta figurinos, com um design muito semelhante ao anterior e que alinham pelos negros e cinzentos.

 
 
CPBC - Grupo de Wellenkamp regressa a Cascais
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CPBC Euridice

Após uns meses de grave instabilidade, a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo apresentou-se, este fim-de-semana, na Cidadela de Cascais com um programa triplo.
Trata-se de um conjunto de peças que reflecte o estreito universo artístico do seu fundador, Vasco Wellenkamp, e que este transportou para a Companhia Nacional de Bailado, da qual é director há menos de um ano.
“Veneno”, de Rui Lopes Graça, ex-bailarino da CNB, é um trabalho despretencioso assente em canções italianas cantadas com doçura e sentimento. Movimentos espasmódicos e animalescos, “atacam” um grupo que exibe desconforto, desnorte e uma marcada infantilidade, que advém da picada de uma suposta tarântula.

 
 
A EXALTAÇÃO da ÁGUA - A Culturarte (Moçambique) abriu o festival de Teatro de Almada
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A 25ª edição do Festival (de Teatro) de Almada, abriu em 2008, com um espectáculo de dança protagonizado pela Companhia Culturarte, de Maputo, Moçambique.

Assinado por Panaibra Gabriel, um dos mais conhecidos coreógrafos moçambicanos, “Dentro de Mim Outra Ilha” surge como uma espécie de jornada (a lado nenhum) de um grupo formado por duas mulheres, Edna Jaime e Sónia Mlapha, e três homens, Domingos Bié, Horácio Macuacua e Ídio Chichava.
Sem nunca se tornar panfletário - o que é recorrente (e normal) em muitos espectáculos oriundos do continente africano -,  ou determinar a sua localização num espaço físico específico, esta dança de afectos e inquietações tanto toca pela serenidade como pela agitação, tendo por fundo uma partitura musical de Rufas Maculuve.

 
 
Maribor Ballet trouxe “Radio & Juliet” ao Festival de Sintra: cinco "Romeus" em busca do amor invisível...
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Maribor 3


O Festival de Sintra foi buscar à segunda cidade da Eslovénia, Maribor, meia dúzia de bailarinos para uma peça (algo equívoca) que dá pelo nome de “Radio & Juliet”.
O director artístico e bailarino do Maribor Ballet, o romeno Eduard Cuig, partiu da música do grupo rock inglês “Radiohead” para abordar, de um modo modernizado, mas esquálido, a lendária história dos "amantes de Verona".

Maribor 1

 
 
"Doo" de Miguel Pereira - um passaporte desfocado
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Cada vez menos coreógrafo e cada vez mais espectador das suas próprias memórias – transferidas para corpos alheios – Miguel Pereira, trouxe-nos, em “Doo”, estreado no Centro Cultural de Belém inserido no Festival Alcântara, uma espécie de revisitação de um longínquo tempo de ingénua felicidade passado em África.

 
 
“Coisas Inócuas” de Tiago Guedes na Culturgest
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Tiago Guedes - foto alcantara 2008

Estreado no Théâtre Le Vivat, em Armentières (França) no início de Fevereiro, o quinteto “Coisas Maravilhosas”, de Tiago Guedes, só chegou em Junho à sala da Culturgest, em Lisboa, através do Festival Alcântara. 

O jovem coreógrafo português, que há meses se mudou para França, traz-nos uma peça com um título sugestivo, num registo “soft” e em tons de ocre. Os fatos e algumas poses bidimensionais dos bailarinos, sugerem, desde logo, umas ténues referências a um universo “egípcio”, sem que isso signifique um pastiche ou uma fantasiosa reprodução cinética inspirada nos registos escultóricos e pictóricos da Antiguidade.

 
 
“Meu Céu” - o “freak show” de Clara Andermatt no Castelo de S. Jorge
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O último espectáculo dirigido por Clara Andermatt – “Meu Céu” - veio dos terreiros do castelo de Vila da Feira para o ex-libris que coroa Lisboa, numa noite fria de Junho.
Dada a beleza do local, o que podia ter sido um “sonho de uma noite de Verão” não foi além de uma agitada exibição de uma meia dúzia de “figuras exóticas”, penduradas em paredes e cordas ou expostas em carros deslizantes, mais ou menos desligadas da realidade, e com muito pouco ou nada em comum.

Para as seguir, os espectadores, de nariz no ar para apanhar os melhores ângulos de visão, partiram atrás de um grupo de cantores e, depois, de uma zorra, em busca de uma mais valia dramatúrgica que parece nunca ter chegado a existir.